10/23/2007


AFINAL

Afinal não era "luz"...

Era a breve chama frágil de uma vela rasa e plana...

Brilho turvo que mal se vê e nem o olhar seduz...

Calor amorfo... que nada aquece...que nada emana...




Afinal não era "oxigénio"...

Era uma baça atomosfera rarefeita e sufocante...

Um nevoeiro carregado de gotículas de arsénio...

Um abismo negro vivo e sem fundo...angustiante...




Afinal não era "vida"...

era um limbo de sofrimentos doídos e cortantes...

uma auto-eutanásia lenta, intensa e sofrida...

a última gota de sangue...homicídio em instantes...




Afinal não era "amor"...
era outro qualquer sentimento temporariamente útil...
uma ilusão bem feita... um mistério...um torpor...
que se desmorona e cai com qualquer sopro fútil...




Afinal não era nada...
era um imenso mar gelado de fogosas emoções...
era a paixão aquosa de uma pedra alucinada...
a queda livre num vácuo de sensações...
a última centelha de vida... apagada...
pântano fétido de ilusões...
e água estagnada...



MCB 07

11 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Lindo!!! Como sempre...
escreves muito bem... até quando sabes(tens a certeza absoluta) k tudo k estás a escrever sao MENTIRAS.
parabens. és brilhante.
Beijo

terça out 23, 10:13:00 da manhã 2007  
Blogger DarkMorgana said...

???

terça out 23, 12:09:00 da tarde 2007  
Blogger Rafeiro Perfumado said...

Afinal parece que não são mentiras... deixa lá, cada um interpreta o texto como lhe apetece, certo? Eu imaginei-me logo a comprar um gelado e quando me ia deliciar via que era com sabores que detestava...

terça out 23, 03:54:00 da tarde 2007  
Anonymous gata said...

Então afinal não era nada...e que estranho chegar a essa conclusão.
Parece que tudo o que era e já não é nunca passou de mera ilusão...mentiras que não eram e verdades que já não são...

Meu beijo de gata, Morgana Dark.

terça out 23, 10:41:00 da tarde 2007  
Blogger Cleopatra said...

Afinal Era chama frágil de uma vela rasa e plana...

Brilho turvo que mal se vê
Calor que aquece...




Afinal era "oxigénio"...

Era atomosfera sufocante...

Um nevoeiro de gotículas de arsénio...

Um abismo vivo e fundo...





Afinal
era um limbo
a última gota de sangue...





Afinal era sentimento
uma ilusão ...um mistério...um torpor...



Afinal
era um imenso mar gelado de fogosas emoções...
era a paixão aquosa de uma pedra alucinada...
a queda livre num vácuo de sensações...
a última centelha de vida...

Afinal era tudo isto.
Afinal...ERA:

Gostei E li como gostei
BJ
Bom texto.
Bom poema.
EScrito com alma.

terça out 23, 11:16:00 da tarde 2007  
Blogger Apache said...

Cientificamente (parece) que “afinal não era nada”…
Poeticamente afinal, era a paixão, a ilusão, o sonho… a fonte da vida!
Simplesmente, lindo!
Já nos habituaste a estes momentos de perfeição.
Vale a pena voltar para reler.
Até "já"…

quarta out 24, 02:50:00 da manhã 2007  
Anonymous Anónimo said...

MCB: (o M e o B já sei o que significam ...) Sabes que não sou o anónimo lá de cima, não sabes?

Para que não hajam equívocos, vou dizer-te o que "penso" dos teus poemas por outra via!;)

Beijo

quarta out 24, 09:13:00 da manhã 2007  
Blogger Apache said...

Voltei para reler mais uma vez. Queria comentar de uma forma mais “poética” mas… é como se a excelência deste texto esvaziasse a poesia em nós, ou expusesse o "mínimo-minimorum" que é cada um dos meus poemas por comparação com este.

“Pântano fétido de ilusões…” Tal e qual o nosso mundo, tal e qual a existência…

sexta out 26, 03:30:00 da manhã 2007  
Blogger Pecadormeconfesso said...

É por isso que não quero continuar a pecar. Gostei do teu texto Gostava de saber porque me dizes para continuar a pecar.Gostva de entender todo o contexto do teu texto.

domingo out 28, 11:33:00 da manhã 2007  
Blogger Dark Blue said...

Os teus poemas são belos, tristes, depressivos mas belos.

domingo out 28, 06:57:00 da tarde 2007  
Blogger Pecadormeconfesso said...

Parteces eu.

sexta nov 02, 09:49:00 da manhã 2007  

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